Osteopatia

Reconstituição Histórico Científica

Andrew Taylor Still & John Martin Littlejohn

Reconstituindo o processo histórico-cientifico, o Dr. Still depois de servir o seu país como major na Guerra Civil Americana na primavera de 1864 retomou à sua vida civil e à medicina para apenas ser confrontado pela tragédia que ele descreveu como o novo inimigo denominado de meningite espinhal que levou à morte os seus três filhos. Foi nesse período que ele começou a questionar a medicina do seu tempo e procurou um sistema alternativo de tratamento, sem medicamentos. Still foi o primeiro no seu tempo, após a sua notável descoberta, a afirmar e defender que o contacto consciente da mão sobre o paciente era muito mais benéfico do que o uso de medicamentos e algumas cirurgias no seu tempo.

Mas, houve impedimentos subjacentes, ele foi deserdado pela sua família e colegas e tornou-se um curandeiro itinerante, apenas para ser distinguido de charlatanismo que invadia as feiras de uma maneira ou de outra. Apesar desta distinta origem humilde, o novo curandeiro foi bem-sucedido e instalou-se na cidade de Kirksville (estado de Missouri), onde em 1874 apresentou a Osteopatia ao mundo e em 1892 fundou a primeira escola de Osteopatia. Perdurando até aos dias de hoje com a atual denominação de Kirksville College of Osteopathic Medicine.

John Martin Littlejohn pertenceu à última metade do século XIX, período em que se formou nas Universidades Escocesas em artes e línguas. O nativo de Glasgow, ao viver na Irlanda do Norte, infelizmente deparou-se com um clima húmido inconveniente para a sua saúde frágil e foi aconselhado a procurar um clima mais quente e seco no estrangeiro.

Assim, ele partiu para a América por apenas seis meses para viver de acordo com a opinião médica. No entanto, ele começou a lecionar logo após a sua chegada, continuando por um período de dois anos, até que a sua saúde quebrou. Felizmente, a fama de Still atraiu o paciente a Kirksville, onde ele se recuperou para se tornar um estudante de osteopatia, orador e co-fundador. Still, o descobridor, viu apenas uma parte da verdade na descoberta. Littlejohn, por outro lado, olhando por detrás do esqueleto físico, deparou-se com a função invisível que é imanente na fisiologia. Littlejohn passou mais de dez anos em Chicago a estudar os fundamentos da vida e o movimento no organismo vivo sob a qual estabeleceu as bases da nossa técnica e prática.

Foi Littlejohn que observou o domínio fisiológico na equação função versos estrutura e a importância da inibição e estimulação na interação nervosa simpática e central. Ele também enfatizou o papel desempenhado pela vasomoção no controle da circulação sanguínea. Mas, talvez, a sua mais importante contribuição para os nossos princípios é a afirmação de que “Não se pode ajustar o anormal para o normal.”

Isto foi seguido por uma injunção de integrar o corpo para que o “Ajuste do Corpo” se tornasse uma necessidade clínica. Foi Littlejohn que observou o domínio fisiológico na equação função versos estrutura e a importância da inibição e estimulação na interação nervosa simpática e central. Ele também enfatizou o papel desempenhado pela vasomoção no controle da circulação sanguínea. Mas, talvez, a sua mais importante contribuição para os nossos princípios é a afirmação de que “Não se pode ajustar o anormal para o normal.” Isto foi seguido por uma injunção de integrar o corpo para que o “Ajuste do Corpo” se tornasse uma necessidade clínica. Em 1900 fundou “The Littlejohn College of Osteopathy and Hospital” em Chicago, onde ensinou e exerceu até 1913; quando voltou para Londres fundou a British School of Osteopathy em 1917. Entre as duas grandes guerras, ele foi a figura central no ensino e exercício osteopático no Reino Unido até à sua morte, 8 de Dezembro de 1947. 

Em 1907 no lançamento do seu livro The Principles of Osteopathy expõe a elaboração de um esquema da sua autoria em que correlaciona os Centros Fisiológicos com os Centros Osteopáticos. Este complexo esquema perdura até aos dias de hoje, sendo a base fundamental no exercício da nossa prática clínica. Não poderemos deixar de ressalvar esta simples mas profunda constatação tantas vezes mencionada na sua imensa literatura: “O princípio subjacente aplicado à Osteopatia é expresso na palavra AJUSTE”.

Imagem 1 - Andrew Taylor Still
Imagem 2 - John Martin Littlejohn

John Wernham começou a sua carreira profissional na Fleet Street, mas foi interrompido, a convite de J.M. Littlejohn para estudar Osteopatia em 1928. A partir desse momento, por mais de 70 anos, John Wernham estudou, lecionou e exerceu de acordo com os ensinamentos do Dr. Littlejohn e, além disso desenvolveu uma biblioteca considerável de textos osteopáticos que abordam os Princípios, Técnica e Prática Clinica, como foram estabelecidos pelo Dr. Littlejohn.

Em 1984, fundou o Maidstone Colege of Osteopathy dedicad ao ensino da Osteopatia segundo as bases do Dr. J. M. Littlejohn. O Colégio foi renomeado The John Wernham College of Classical Osteopathy – JWCCO em 1996, em homenagem ao seu fundador. O Dr. John Wernham exerceu, ensinou, escreveu e publicou até o momento da sua morte. Faleceu a 9 de fevereiro de 2007 com 99 anos de idade.

Imagem 3 - John Wernham

Osteopatia Clássica

Princípios da Filosofia Osteopática

Littlejohn recordou-nos de que a Ordem é a lei da vida, e que a Harmonia é o princípio da arquitetura do corpo e das atividades corporais. Qualquer realidade que impulsione esta ordem e harmonia para uma condição de doença é uma causa fértil da mesma. Neste contexto empregamos a palavra “lesão” ou “disfunção” para indicar algum “desvio” nos tecidos ou órgão do corpo fora do habitual. Um osso deslocado, um músculo contraído, contraturado, tetanizado, ou um órgão atópico podem formar a base de uma lesão desta etiologia, conduzindo a vários tipos de complicações, envolvendo especialmente os fluidos do corpo: sangue, linfa e a força nervosa que representam a energia do homem e que controlam os tecidos do corpo.

O corpo humano não é uma máquina, mas sim um mecanismo vital que está sujeito à lei mecânica. Isto quer dizer que é o suporte do peso e das linhas de tensão presentes no organismo vivo, na medida em que estão presentes em todos os objetos neste plano terrestre. Paralela, não paralela e curva, as linhas são arbitrárias em operação, possuindo uma direção e magnitude que só serão recusadas em detrimento do corpo e nenhuma quantidade de tratamento corretivo será suficiente em muitos casos, se o stress ou tensão permanecer.

Imagem 4 - John Wernham junto do retrato de J. M. Littlejohn
Segundo Littlejohn

“A osteopatia pode ser definida como um sistema, ou ciência de cura, que utiliza os recursos naturais do corpo para o ajustamento da sua estrutura, no intuito de estimular a preparação e distribuição dos fluidos e forças do corpo, e para promover a cooperação
e harmonia no mecanismo do mesmo. No entanto, não devemos considerar o corpo como uma máquina, mas como um mecanismo vital.”

Em conformidade com as nossas bases:

“Osteopatia não é manipulação. A Lesão Osteopática é fisiológica e não anatómica. A chave para o sucesso é encontrada no Ajuste, não na correção: a correção é impossível no organismo vivo. Clinicamente, a ação é dirigida conjuntamente a todos os tecidos do corpo, empregando os membros como alavancas longas, direcionadas para a coluna apenas com articulações suaves.

Não é possível ajustar o anormal ao normal, o que significa que o tratamento local permanece local, sem efeitos gerais ou permanentes. Só poderemos reverter tal ponto de situação através de um processo de integração que comece no ponto disfuncional mais distante do local primário de lesão (reflexo do estado de homeostasia permanente de qualquer mecanismo vital), representando a última lesão, revertendo assim a última perturbação até à primeira.

A perda da integridade e perda de equilíbrio no corpo devem-se a um desequilíbrio entre o sistema nervoso central e simpático e à inter-relação adequada entre as leis da estática e da dinâmica do corpo. Estes dois principais “motores” representam a base da Osteopatia Clássica.”

“Existe apenas uma osteopatia, a única forma é através do processo de INTEGRAÇÃO”
John Wernham

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